Plas Ayiti e Campo de Batalha

PLAS AYITI

Plas Ayiti – imagem de referência 1

Participantes: Carlos Kenj, Daniel Yencken, David Limose, Felipe Prando, Serge Norestin, Team Fresh. Vídeo-instalação, HD, 3 canais, áudio estéreo, 16′ – 2014

 

Plas Ayiti (Praça Haiti, em creole) é o nome com o qual imigrantes haitianos rebatizaram informalmente a Praça Tiradentes, logradouro central em Curitiba. Esta é a quarta cidade que mais recebeu haitianos no país, entre os anos 2009 e 2014, presença que se mostrou de modo nítida na capital, cuja imagem de autopromoção se fez baseada apenas nas migrações de origem europeia, estabelecidas por volta do início do século XX.

 

O filme é o encontro entre três artistas e esses refugiados do terremoto e da falta de perspectiva econômica, que chegam atraídos por uma imagem do Brasil que não corresponde à realidade, mas que talvez representasse o destaque dado a nações emergentes nos veículos midiáticos na década passada. Esse Brasil tido como “potência econômica”, como uma nova visão do paraíso, terminou por oferecer inúmeras dificuldades a esses migrantes, que vão desde condições inferiores de trabalho a agressões xenofóbicas.Plas Ayiti não é um documentário. É um processo de trabalho que envolveu o estabelecimento de relações com grupos de haitianos, oficinas de vídeo, conversas e, finalmente, a proposta de elaborar, produzir e atuar num filme pensado a partir das preocupações, anseios e afetos relatados por eles (tema abordado pelo problema das identidades móveis, do deslocamento físico e emocional, da linguagem – e não por uma suposta natureza haitiana). E justamente aí, nas frestas do encenado, vaza algo que poderíamos chamar de realidade.

CAMPO DE BATALHA

 

Campo de Batalha é um ensaio fotográfico que apresenta um atravessamento de histórias, pessoas e paisagens cujas distâncias correspondem a mais de 200 anos: a do extermínio de uma comunidade Kaingáng (1796) e de uma classe operária (a partir dos anos 1940) em um território ocupado e controlado pelas famílias Klabin/Lafer proprietárias das terras e da fábrica de papel que ali se instalou na década de 1940. Campo de Batalha é uma expressão militar que designa um território escolhido previamente e preparado como uma armadilha para a qual o inimigo é encaminhado através da persuasão, ou outra forma subliminar.

 

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Felipe Prando (1976). Professor do Departamento de Artes da Universidade Federal do Paraná, Doutor em Artes Visuais, ECA-USP. Suas pesquisas visuais investigam políticas de produção e circulação das imagens na esfera pública. Participou de exposições no Museu da Gravura (Curitiba), Museu Oscar Niemeyer, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Centro Cultural dos Correios RJ, Museu de Arte de Santa Catarina, Oficina Cultural Oswald de Andrade, Centro Cultural Recoleta e Fotogaleria San Martí em Buenos Aires, Galeria Ojo Ajeno em Lima, Fundación Celarg em Caracas. Em 2008 recebeu a Bolsa de Estímulo à Criação Artística – Fotografia Contemporânea (FUNARTE), participou do X Salão Nacional Victor Meirelles. Em 2007 e 2012 recebeu a Bolsa Produção Artes Visuais / Fotografia da Fund. Cultural de Curitiba.